terça-feira, abril 17, 2007
Anos depois
Anos depois daqueles
antigos
estamos presos
ainda
ao que éramos
e não queríamos
ao que somos
e não queríamos
ao que não chegaremos nunca
a ser.
antigos
estamos presos
ainda
ao que éramos
e não queríamos
ao que somos
e não queríamos
ao que não chegaremos nunca
a ser.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Ainda vale?
JORNADANão fiques para trás oh companheiro
É de aço esta fúria que nos leva
Para não te perderes no nevoeiro
Segue os nossos corações na treva.
Vozes ao alto, vozes ao alto
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada
Ao sol desta canção.
Aqueles que se percam no caminho
Que importa? Chegarão no nosso brado
Porque nenhum de nós anda sozinho
E até mortos vão a nosso lado.
Canção de Fernando Lopes Graça / letra de José Gomes Ferreira
sexta-feira, outubro 13, 2006
A culpa
Há ideais que não nos largam. Maneiras de pensar e entender o homem que nos atrapalham quando precisamos, precisamos mesmo, de dizer que há pessoas de quem não gostamos, que não queremos perto de nós, que só de as ouvir espirrar - mesmo delicadamente (por isso mesmo?) - ou de as sentir arrotar ainda que para dentro (sobretudo para dentro?), nos dá uma vontade de, das duas uma:
- dar cabo delas (que o espirro as sufoque, que o arroto as engula)
ou
- dar cabo de nós.
E lá se vão os ideais humanistas…
Mas como não vão, realmente não vão, cá fica a culpa… a terrível culpa de não ser realmente, realmente tolerante.
- dar cabo delas (que o espirro as sufoque, que o arroto as engula)
ou
- dar cabo de nós.
E lá se vão os ideais humanistas…
Mas como não vão, realmente não vão, cá fica a culpa… a terrível culpa de não ser realmente, realmente tolerante.
domingo, outubro 01, 2006
Pessoa
Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei-de ser, sendo nada, o que serei.
Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lato céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor
Murcharam na haste morte da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.
Fernando Pessoa, 06.01.1923
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei-de ser, sendo nada, o que serei.
Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lato céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor
Murcharam na haste morte da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.
Fernando Pessoa, 06.01.1923
segunda-feira, janeiro 16, 2006
O tempo

O tempo voa. Dias atrás uns dos outros. O tempo come os dias. Devora-os como a bagas de fruto maduro. Os meus dias voam. E só às vezes levanto a cabeça, quase sem querer, e reparo como já chove, como já veio o inverno, como já quase me esqueci do verão, como daqui a pouco outro verão estará aí para passar, rápido, e eu não cheguei a estrear o fato de banho novo do ano passado.
quarta-feira, agosto 31, 2005
sexta-feira, abril 08, 2005
A terrível missão dos artistas
Sem resposta efectiva sobre se são ou não necessários, úteis, desejados, ou não, os artistas debatem-se com o veneno que, vindo de dentro, os obriga a viver a sua condição de inquisidores do grande paradoxo da vida.
E a pergunta sem resposta faz-se no seu espírito, amaciada por uma ou outra palavra de solidariedade, acirrada pelo silêncio da dúvida.
Nas artes colectivas, feitas no colectivo e destinadas a um colectivo (isto é, fora do umbigo, fora da gaveta) a pergunta é mesmo inevitável.
O teatro, por exemplo.
Nos tempos que correm, que sentido tem?
Faz falta a quem que não aos actores, que definham sem público?
Que sofrem ao ver extinguir-se a imagem de que também são espelho.
E a pergunta sem resposta faz-se no seu espírito, amaciada por uma ou outra palavra de solidariedade, acirrada pelo silêncio da dúvida.
Nas artes colectivas, feitas no colectivo e destinadas a um colectivo (isto é, fora do umbigo, fora da gaveta) a pergunta é mesmo inevitável.
O teatro, por exemplo.
Nos tempos que correm, que sentido tem?
Faz falta a quem que não aos actores, que definham sem público?
Que sofrem ao ver extinguir-se a imagem de que também são espelho.
terça-feira, outubro 19, 2004
Perseguir a luz
Bechtout - circo pela Compagnie Baro d'Evel-França.
Um espectáculo magnífico na sua aparente simplicidade.
Seres que perseguem a luz que eles próprios irradiam em pequenos objectos que transportam e a partir dos quais se envolvem com outros seres que se cruzam no caminho: música, acrobacia, manipulação de objectos, tudo com uma dose de humanidade capaz de nos divertir e comover.
Um espectáculo magnífico na sua aparente simplicidade.
Seres que perseguem a luz que eles próprios irradiam em pequenos objectos que transportam e a partir dos quais se envolvem com outros seres que se cruzam no caminho: música, acrobacia, manipulação de objectos, tudo com uma dose de humanidade capaz de nos divertir e comover.
sábado, outubro 16, 2004
Como vai o mundo?
Vivo intensamente o paradoxo nunca resolvido da justiça das coisas, das responsabilidades individuais e colectivas, dos limites entre a crença no homem, no seu poder construtivo, e a ideia de que isso de nada serve para aplacar dores e angústias.
Gostava de me dedicar unicamente às coisas belas. Porque elas existem, porque elas parecem dar sentido à vida.
A arte pode salvar-nos do caos imundo à nossa volta; sinto-o quando ouço Bach ou Keith Jarrett; quando vejo um quadro de Bosch ou Magritte, quando leio Beckett ou Pessoa. A arte salva quem a faz e quem a ela acede. Mas só às vezes.
Gostava de me dedicar unicamente às coisas belas. Porque elas existem, porque elas parecem dar sentido à vida.
A arte pode salvar-nos do caos imundo à nossa volta; sinto-o quando ouço Bach ou Keith Jarrett; quando vejo um quadro de Bosch ou Magritte, quando leio Beckett ou Pessoa. A arte salva quem a faz e quem a ela acede. Mas só às vezes.
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