quarta-feira, agosto 31, 2005

sexta-feira, abril 08, 2005

A terrível missão dos artistas

Sem resposta efectiva sobre se são ou não necessários, úteis, desejados, ou não, os artistas debatem-se com o veneno que, vindo de dentro, os obriga a viver a sua condição de inquisidores do grande paradoxo da vida.
E a pergunta sem resposta faz-se no seu espírito, amaciada por uma ou outra palavra de solidariedade, acirrada pelo silêncio da dúvida.
Nas artes colectivas, feitas no colectivo e destinadas a um colectivo (isto é, fora do umbigo, fora da gaveta) a pergunta é mesmo inevitável.
O teatro, por exemplo.
Nos tempos que correm, que sentido tem?
Faz falta a quem que não aos actores, que definham sem público?
Que sofrem ao ver extinguir-se a imagem de que também são espelho.

terça-feira, outubro 19, 2004

Perseguir a luz

Bechtout - circo pela Compagnie Baro d'Evel-França.
Um espectáculo magnífico na sua aparente simplicidade.
Seres que perseguem a luz que eles próprios irradiam em pequenos objectos que transportam e a partir dos quais se envolvem com outros seres que se cruzam no caminho: música, acrobacia, manipulação de objectos, tudo com uma dose de humanidade capaz de nos divertir e comover.

sábado, outubro 16, 2004

Como vai o mundo?

Vivo intensamente o paradoxo nunca resolvido da justiça das coisas, das responsabilidades individuais e colectivas, dos limites entre a crença no homem, no seu poder construtivo, e a ideia de que isso de nada serve para aplacar dores e angústias.
Gostava de me dedicar unicamente às coisas belas. Porque elas existem, porque elas parecem dar sentido à vida.
A arte pode salvar-nos do caos imundo à nossa volta; sinto-o quando ouço Bach ou Keith Jarrett; quando vejo um quadro de Bosch ou Magritte, quando leio Beckett ou Pessoa. A arte salva quem a faz e quem a ela acede. Mas só às vezes.